Como andam suas dívidas financeiras? E as emocionais?

Muitos acreditam que ter dívidas, ou nascer em um país endividado, é um resgate de vidas passadas. Pessoas assim, muitas vezes, apresentam maior facilidade em aceitar e lidar com situações difíceis, relacionadas à falta de recursos para viver. No entanto, há outra parcela da população que não segue essa crença.

Dívidas financeiras podem ter várias causas: desemprego, compulsão ao consumo, desorganização gerada pela falta de planejamento econômico e/ou ausência de foco, de habilidades para lidar com o tema, medo de arriscar-se, descontrole do orçamento familiar, morte dos provedores, patrimônio lesado por situações ou terceiros… Não faltam situações para levar um indivíduo a vivenciar verdadeiros apertos na hora de pagar as contas, criando uma onda de inadimplentes.

Mas também somos vítimas de dívidas emocionais. Estas, normalmente, têm sua semente nas questões não resolvidas em nossas famílias de origem e gerações anteriores à nossa. Adquirir dívidas emocionais é semelhante à aquisição de as financeiras, porque não pedimos para nascer em família com histórias difíceis, como abusos emocionais e sexuais, segredos obscuros, pessoas autoritárias, pai ou mãe irresponsável, conflitos conjugais, separações conflituosas. A não ser que a pessoa nasça em uma família que crê em vidas passadas e aceita as experiências emocionais como resgates de dívidas anteriores.

Mas o que os devedores financeiros e emocionais têm em comum? Ambos não se planejam. De um lado, criam altas expectativas com relação aos gastos financeiros, sem apresentar habilidades e fontes para lidar com o tema. De outro, desenvolvem falsas percepções de seus relacionamentos pessoais, desconhecendo seus diferenciais para potencializar e fortalecer trocas afetivas autênticas.

De forma geral, autoestima baixa aparece em ambas. Nas financeiras, a pessoa “boazinha” é dotada de grande ingenuidade e acredita que todos deveriam respeitar as regras do jogo, porém ela esquece que essas regras são do mercado financeiro, não suas. Por sua vez, os devedores emocionais são pouco assertivos, “não sabem dizer não”, extremamente leais às leis da família de origem, podendo desenvolvem o medo de “crescer emocionalmente”, fazendo o “jogo do contente” para evitar frustrações, rejeições, ou seja, dança conforme a plateia pede. Isso significa que nunca são eles mesmos, mas o que os outros querem que sejam.

Não traçar planos, não criar metas, não ter clareza de objetivos são características de ambos devedores, os financeiros e os emocionais. Isto porque qualquer organização a respeito pode colocá-los em contato com a realidade, descobrindo limitações e competências.

Não resolver dívidas financeiras, delegando-as a nossa realidade (à crise econômica), não deixa de ser uma forma de autossabotagem. Ao mesmo tempo, não encarar as dívidas emocionais que temos com pais, irmãos, avôs, tios também é uma atitude de quem “enxuga gelo”.

Ambas as situações – e muitas vezes as duas acontecem na vida da mesma pessoa – causam problemas de saúde, estresse e a sensação de vazio, de impotência.

Por isso, te faço um convite: analise a saúde financeira e emocional de sua vida. Como estão ambas. Será que você não está se negligenciando e colocando em risco o seu bem-estar e de pessoas que você ama?

Não se desespere, porque você não é único. Muitas pessoas passam pelos mesmos problemas. Segundo, porque você pode contar conosco para ajudá-lo a se resgatar dessa crise, seja financeira, seja emocional. Aliás, reflita se uma não está levando a outra, o que é bem comum nas realidades das famílias.

Se quiser conversar a respeito, estou aqui. É só entrar em contato.

Você merece encerrar o ano em paz e ter novos pensamentos e metas, bem mais saudáveis, para o novo ano que se aproxima.

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e famílias

Curso Modular – Modulo 2

Objetivo:

Fornecer fundamentos teóricos e práticos aos profissionais, estudantes e pessoas que trabalham ou que se interessam trabalhar com casais, de modo que possam construir técnicas e ferramentas que possibilitem o sucesso e a eficácia do trabalho terapêutico.

Público Alvo:

Profissionais, estudantes das áreas de saúde, educação e humanas e pessoas que trabalham ou queiram trabalhar com famílias, nos diversos contextos relacionais: clínicas, escolas, comunidades, instituições públicas, privadas e religiosas.

Conteúdo Programático:

– Pensamento sistêmico
– O casal como um sistema que se retroalimenta
– Teoria da comunicação
– Método sistêmico/vincular aplicado à terapia de casal
– A formulação de hipóteses sistêmicas relacionadas à construção do casal
– Matriz conjugal e missão conjugal
– Ciclo vital e genograma cruzado
– Escolha do parceiro, teoria do encontro
– Modelo de entrevista conjugal
– O “padrão que liga” o vínculo conjugal, padrão estrutural retroalimentador
– Grau de indiferenciação dos cônjuges com relação à família de origem
– Escolas: Terapia Estrutural e teorias dos sistemas familiares de Bowen
– Metodologia sistêmica/cibernética utilizada no atendimento clínico de casais
– Técnicas e ferramentas utilizadas para eficácia e qualidade dos atendimentos clínicos de casais
– Exercícios vivenciais: dramatização de atendimento simulado de casal
– Atendimentos clínicos ao vivo
– Supervisão clínica e de casos
– Seminários Temáticos: doenças autoimunes e psicossomáticas, distúrbios mentais/emocionais, dependência química, coodependência afetiva, enfermagem e família, casamento e espiritualidade, dentre outros.

Diferenciais:

Adesão de metodologias proativas

– Aprendizagem por meio de atividades, de forma investigativa , desafiadora e colaborativa
– Aprendizagem baseada na solução de problemas
– Professor facilitador para selecionar experiências significativas dos participantes, contribuindo para a resolução dos problemas propostos
– O aluno é o protagonista do seu processo de ensino-aprendizagem
– Corpo do docente altamente especializado com vasta experiência no atendimento de casais
– Metodologia sistêmico-cibernética como ferramenta criativa e eficaz no tratamento de casais

Certificação: Certificado pela escola Família com Vida e Vinculovida.

Data de Início: 22/Setembro/2018 (Sábado)

A abertura de cada módulo está relacionada à existência de um quórum mínimo de 8 pessoas.

Horário: 8h30 às 17h30 (mensais)

Carga Horária: 72 horas/aula (48 horas/aula presenciais e 24 horas/aula a distância)

Duração: 1 Módulo por semestre (6 encontros, sendo 1 por mês). Módulos independentes (não precisa cursá-los na sequência, mas pelos temas de seu interesse)

Local: Rua Loefgren nº 528 – Vila Clementino – Próximo do Metrô Santa Cruz – SP

Investimento: Consulte-nos sobre o valor do curso

Informações:

Tel.(11) 5084-4749

Cel.: (11) 9 9276-1327 (WhatsApp)

Se você clicar no botão do WhatsApp, a direita de nossa página, poderá entrar em contato com o Prof. Sebastião Souza.

E-mail:

secretaria@vinculovida.com.br – sebastiao.souza@vinculovida.com.br.

Observação: Profissionais formados pela Escola Vinculovida terão desconto de 10%.

Feminicidio: este problema também é seu!

Uma das grandes inquietações dos pensadores da Grécia Antiga era como compreender a composição do universo, a partir de quatro elementos até então conhecidos e respeitados pelo homem: água, vento, fogo e terra.

Essas inquietações tinham fundamento, já que retratavam a preocupação de compreender a força de cada elemento, individualmente ou atuando juntos, responsável por um padrão de ligação do homem com a natureza.

Com o passar dos anos, a ciência evoluiu sensivelmente e podemos dizer que, hoje, já é possível fazer uma predição e prevenção de quando o homem se opõe a essa natureza, desrespeitando-a. Prova disso são os acidentes naturais.

Quando esses incidentes ocorrem, a ciência consegue, em muitos casos, minimizá-los, curando possíveis estragos dos terremotos (terra), maremotos (água), incêndios devastadores (fogo) e furacões (ar).

Não menos importante, mas seguindo uma ordem de prioridade para a sobrevivência, o homem grego prezava os relacionamentos humanos com uma condição sine qua non para a convivência saudável a partir de um “código de ética individual”.

Um dos primeiros artigos desse código era:

Aquilo que quero para minha vida pessoal devo usar com medida ao tratar o meu próximo.

Neste ponto parece que não evoluímos muito, ou seja, não acompanhamos o desenvolvimento da ciência. O quinto elemento, o homem, tem feito estragos irreversíveis. Parece que não nos ocupamos em entender melhor o ser humano bondoso e amoroso, de um lado, e maléfico e perverso, de outro.

Como prever o funcionamento emocional desse quinto elemento? Quase que impossível! Como compreender dados publicados pelo jornal “O Estado de S. Paulo” (14 de outubro de 2017), que revelam o assassinato de 63 mulheres pelos seus maridos ou ex-maridos, neste ano?

O mês de agosto foi recorde: 12 vítimas dessa barbárie! Parece que voltamos no tempo – ou, talvez, nunca tenhamos vencido esse passado vergonhoso – em que egos feridos, os narcisistas inconformados, apelam e comentem o crime de feminicidio, deixando tantas crianças órfãs, sem qualquer respeito a histórias construídas nessas parceiras.

O risco de vida eminente já se constituiu no momento da escolha do parceiro. As mulheres vivem um jogo de roleta russa, muitas vezes sem sequer notar qualquer irracionalidade naqueles que se diziam seus cúmplices de vida.

Esse é o fruto de uma sociedade machista e narcisista, que fere ou mata mulheres de diferentes contextos sociais, só porque são mulheres. O pior é que o desrespeito e a desqualificação do gênero feminino estão presentes em todos os cenários: na família, no casamento, na vida profissional e nas relações interpessoais.

O que nós profissionais, pessoas comuns, cientistas, mães, pais, podem fazer? Ficar parado é que não é. Vamos denunciar! É preciso que a sociedade se posicione e lance mão de artifícios legais, já existentes, como a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006).

Temos o dever de construir novos suportes para ajudar pais, mães e familiares a perceberem que essas mortes absurdas são de NOSSA responsabilidade.

Sabem o que pode ajudar a mudar isso? É acabar com essa distinção, que começa na educação infantil, em que “isto é coisa de menina”, “isto é coisa de menino”. Você até pode achar absurdo eu dizer isso, mas é no que eu acredito. Meninas, meninos, homens, mulheres são seres em eterna evolução orgânica/emocional/ espiritual. Pense no que impomos a mulheres e a homens em nossa sociedade. Veja se é justo e se permite a igualdade da evolução a ambos os gêneros.

A ciência pode dar conta de uma parte de nossa existência. A outra parte eu e você somos corresponsáveis. Ou mudamos esse modus operandi que oprime as minorias e as mulheres ou continuaremos sendo uma vergonhosa sociedade narcísica e doente. É isso que queremos deixar aos nossos filhos e netos?

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e de famílias

Conheça o nosso Novo Curso MODULAR

A Escola FamiliacomVida tem uma GRANDE NOVIDADE para você que é profissional, estudante, que trabalha ou pretende trabalhar com casais e famílias.

Nosso Curso de Especialização Clínica em Terapia com Casais e Famílias foi totalmente remodelado e ampliado, podendo agora, ser cursado em MÓDULOS.

Você poderá escolher por qual dos 12 MÓDULOS deseja começar e depois, se quiser, poderá fazer outros módulos. Desta forma, estará livre para determinar a maneira mais interessante de cursar apenas o conteúdo que for do seu interesse.

VANTAGENS DESTE NOVO MODELO

– Módulos independentes

  • 01 módulo por semestre (06 encontros, 01 por mês)
  • Não precisa cursá-los na sequência
  • Você escolhe os módulos do seu interesse
  • Menor custo – você paga pelos módulos que quiser cursar

– Metodologia Proativa

  • Aprendizagem por meio de atividades, de forma investigativa, desafiadora e colaborativa
  • Aprendizagem baseada na solução de problemas
  • O aluno é protagonista do processo ensino-aprendizagem
  • O professor e facilitado que contribui para a resolução dos problemas propostos

– Você vai recebendo certificados segundo os cursos que for realizando.

  • Ao Final do primeiro módulo: Certificado de Atualização
  • Ao Final do segundo módulo: Certificado de Aperfeiçoamento
  • Ao Final do terceiro e quarto módulos: Certificado de Especialização
  • Para outros módulos, o ciclo de certificados, será reiniciado

TÍTULO DE CADA UM DOS MÓDULOS

Módulo 1

Terapia Familiar Sistêmica Breve

Módulo 2

Terapia de Casal: uma abordagem Sistêmica Breve

Módulo 3

Terapia Familiar com crianças e adolescentes: Uma abordagem Sistêmica Breve

Módulo 4

Genograma Familiar e Família de Origem do Terapeuta (FOT)

Módulo 5

Terapia sistêmica individual: soluções dos problemas pessoais e interpessoais a partir da família de origem

Módulo 6

Terapia do divórcio e recasamento: Como evitar as repetições indesejáveis?

Módulo 7

Família e escola: mediações e solução dos problemas escolares

Módulo 8

Aconselhamento sistêmico de casal e família: solução dos problemas que envolvem questões emocionais e espirituais

Módulo 9

Família e os transtornos psiquiátricos – uma abordagem sistêmica: prevenção, diagnóstico, tratamento e ressocialização

Módulo 10

Coodependência afetiva: aprendizagens e soluções eficazes nas famílias de origem

Módulo 11

Terapia Familiar e Doenças Relacionadas ao Trabalho: Prevenção, diagnóstico, tratamento e recuperação

Módulo 12

As fronteiras e as intersecções entre a Inteligência Artificial e Terapia Sistêmica Breve

Não perca tempo!

Aproveite essa oportunidade para fortalecer sua carreira, ampliando seus conhecimentos e melhorando consideravelmente os seus resultados.

Viver com freio de mão puxado ou na “banguela”?

Pessoas apegadas andam com o freio de mão da vida puxado, preferencialmente em “carros” de baixa cilindrada. Em outros momentos, “dirigem” carrões potentes, na banguela, sem usar os freios. Ou seja, em certas situações, têm bastante medo de ousar, lidar com novos desafios. Em outros, abusam dos apegos, justificando-os com o amar incondicionalmente os que estão ao seu redor.

As sementes dos medos ou abusos têm as mesmas raízes: a do apego a bens materiais e a pessoas, receio da entrega autêntica à vida, dificuldade de lidar com o desconhecido e diferente, até mesmo de mergulhar fundo nas relações pessoais e profissionais, com receio de perder o que conquistaram e construíram.

Com o passar do tempo, a vida dessas pessoas funciona como se fosse um filme passado em câmara lenta ou em alta velocidade. Isto ocorre à medida que vão deixando de exercitar os seus potenciais de criatividade e desenvolvem um modo de viver sem riscos ou, em determinadas situações, com risco total. É como uma aeronave que procura ficar abaixo do sinal do radar, para não ser vista pelo inimigo. Em outras palavras, pessoas que passam a vida usando suas capacidades criativas abaixo da média, com medo de fracassos e frustrações ou, em outras situações, que ultrapassam os limites de velocidade e altura, ameaçando a si mesmas e a terceiros.

Essas pessoas que usam esse modo de vida, e se justificam a partir das necessidades materiais, emocionais e as histórias que exeperenciaram na infância, adolescência e até vida adulta, são contaminadas pelos fantasmas das misérias materiais e emocionais. Por isso, se ancoram em crenças e nessas argumentações irracionais.

Por outro lado, o excesso de apego se inicia quando as pessoas se desconectam de suas emoções, deixando o carro “na banguela”, descendo ladeira a baixo, praticando excessos que asfixiam todos que convivem com elas. Maridos ou esposas possessivos e ciumentos, que usam de agressividades e hostilidade, por conta de um “amor infinito” que os levam a perder a cabeça, são exemplos típicos.

Outras, em nome de uma religião fundamentalista, matam por amor a um “deus” que lhes autoriza a cometer atrocidades, causadas pela fé cega e doentia, uma justificativa para seus atos irresponsáveis.

Torcidas organizadas, obcecadas pelos seus times, que lançam mão do fanatismo para transformar adversários no esporte em inimigos na vida, como se o campo de futebol fosse um campo de batalha.

Mães excessivamente apegadas aos seus filhos que se transfiguram em verdadeiras esposas apáticas, escondidas atrás de sua prole, com medo de perdê-la.

Políticos fascinados pelo poder que viram “químicos”, transformando dinheiro público em festivais de viagens, mansões, carros de luxos e outras mordomias.

Para pessoas assim, a justificativa quase sempre se repete: estão pensando no amanhã. No entanto, elas esquecem que o hoje e o agora são essenciais à sua sobrevivência e que, dessa forma, permanecem “congelados” em um passado, vivenciando um sentimento de inadequação praticamente permanente. Ou seja, “vendem a alma ao diabo”, que, no futuro, irá cobrar – e muito caro.

Ser apegado é ficar travado ao longo da vida, funcionando “meia boca”, desprezando o potencial de criatividade, de inventividade, deixando puxadas no “freio de mão” as oportunidades de sucesso.

Não se esqueça: esses modos de viver foram criados pelos “diabinhos internos” das histórias de cada um de nós.

Tem um velho ditado que diz “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”. Eu, particularmente, prefiro os passarinhos que vivem livres, com autonomia e felizes. Quanto mais os vejo assim, mais compreendo que viver é a arte do equilíbrio entre aquilo que desejo para mim e o que sirva de referência saudável e harmônica na convivência com meu próximo.

Para saber se levamos nossa vida como um carro com freio de mão puxado ou ladeira abaixo é só verificar quanto de nossos projetos pessoais e profissionais não saíram do papel ou da mente por falta de nosso empenho e ousadia de tentar, porque colocamos na frente deles questões do passado não trabalhadas, que se transformam em verdadeiros “infernos particulares”.

Pense bem nisso!

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e de famílias

Depois do casamento a vida piorou… Será?

Entendemos como casamento toda forma de união que se baseia em admiração, amor e respeito. Uma instituição que tem sido pauta de muitas discussões, especialmente quando se torna ponte de conflitos, discórdias, separações e, em alguns casos, divórcios litigiosos, com prejuízos para ambos os cônjuges.

No tratamento terapêutico, faz parte do trabalho do profissional ajudar o casal a desconstruir crenças e mitos que reforçam uma vida a dois como algo insuportável, seja nas sessões durante o casamento ou pós-separação.

Estar casado nem sempre é uma opção. Pessoas casam por diferentes motivos, mas, neste texto, abordarei quando a união acontece em momentos de vida “cheios e vazios”.

O primeiro caso está relacionado a pessoas que se sentem realizadas profissionalmente, financeiramente, materialmente e, muitas vezes, intelectualmente. Sendo assim, sentem a necessidade de ter alguém para dar mais substância emocional à sua vida amorosa e afetiva.

Porém, esse tipo de escolha, para uma necessidade como esta pode ser um tiro no pé. Nem sempre a vida conjugal suprirá carências afetivas que a pessoa carrega consigo de outras experiências e situações de sua vida.

No outro caso, do momento “vazio”, optar pelo casamento pode ser altamente prejudicial. A pessoa, normalmente, está vivendo a angústia de uma perda, uma separação recente, o diagnóstico de doença grave, uma decepção amorosa, que a coloca em um estado depressivo, de origem familiar, pessoal ou profissional. De repente, no meio desse caos, surge alguém idealizado, o “salvador da pátria”. Acreditar que outro ser humano pode “salvar-nos”, quando nem mesmo conseguimos parar em pé, é como acreditar em contos de fadas.

Durante o trabalho terapêutico com casais, é de suma importância que os profissionais ajudem os cônjuges a compreender que a relação conjugal tem um primeiro estágio, o da “conquista”, no qual ambos expõem os pactos explícitos e conscientes. Em outras palavras, para conquistar alguém, precisamos apresentar o que temos de melhor, caso contrário, o outro não nos aceitará, afinal, todo mundo aprecia a “parte boa”, mas, na verdade, temos partes “boas e ruins”.

O segundo estágio da relação é a sua “manutenção”, o que torna a convivência mais complexa. Nesse momento, surgem os pactos inconscientes, o que não foi revelado, surgindo independentemente da vontade dos cônjuges. Nessa fase, os dois precisam se reinventar e recriar, pois a “manutenção” não depende só do relacionamento conjugal, mas, sim, daquilo que cada parceiro exercitou e desenvolveu na sua individualidade e, principalmente, a maneira como lidavam com o prazer e o lazer quando solteiros.

Lançar mão do casamento para se reinventar ou recriar é uma forma de onerar a relação das várias dificuldades que não foram elaboradas na família de origem, na infância, adolescência e vida adulta, antes da união. Fica relativamente mais confortável dizer que o casamento piorou a vida da pessoa. Difícil é identificar o que ela queria e como vivia quando solteira.

Se a pessoa nunca assumiu para si o “leme” de sua vida, não será o casamento responsável por desviar trajetórias de sua história pessoal, relacional, familiar e profissional. Provavelmente, antes da união, havia muitas pontas desconectadas.

Para quem sente que o casamento é um problema em sua vida, vale este exercício: crie uma linha do tempo bem detalhada, em que estejam identificados os acontecimentos da infância, adolescência e vida adulta, antes de casar. Acontecimentos que deixaram marcas positivas e aqueles que machucaram e não cicatrizaram ainda. Também assinale de que forma lazer e prazer foram vivenciados em cada etapa. Era uma pessoa criativa, que se doava? Ou esperava que as coisas acontecessem por si só?

Com esse resgate, é possível transformar o casamento em um excelente laboratório experimental e fraternal, tirando o parceiro do lugar de inimigo e propondo que ambos possam evoluir juntos, com aprendizados comuns e individuais.

Ainda é tempo de assumir o leme de sua vida. Afinal, “o caminho se faz caminhando”.
(Varela, 1970)

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e de famílias

Armadura é armadilha. Escudo é preservação.

Somos todos prisioneiros. Fomos engolidos por histórias familiares atuais e transgeracionais. A sobrevivência falou mais alto. Com a sobrevivência vêm as primeiras sementes da armadura/armadilha. “Não pedi este nome, nem esta crença e, muito menos, para viver neste lugar”.

Aprendi que é assim: no início oferecem algo que é necessário para tirar você do desamparo inicial e da desproteção. Basta ser politicamente correto, bonzinho que, no final, tudo vai dar certo.

Armadilha pura. Para você não ser você basta aceitar o que lhe dão e agradecer. Afinal, sobreviver é preciso, caso não queira perecer. Como sobreviver sem enrijecer? Quando começamos a enrijecer nossas armaduras começam a ser construídas. A armadura é uma armadilha ou não é?

A armadilha toma conta do nosso organismo, corpo e mente criando uma química doentia, transformando seres humanos em robôs – ou zumbis. A armadura, que era uma “saída” para sobrevivermos, mata nossas emoções.

A necessidade de amparo e proteção, diante da dor de se constituir como ser humano, transformou alguns de nós em seres pragmáticos, especialistas em soluções racionais. A razão passou a ser a nossa verdade. Criamos e desenvolvemos uma máscara para cobrir nossas emoções, como a do personagem do filme “O homem da máscara de ferro”. Ao tirá-la, é possível que as marcas já estejam incrustadas na nossa alma (psique), sem precisar mais usá-las.

Que tal se desfazer das máscaras e apoderar-se de escudos? Estes sim nos preservam quando precisamos nos defender. Os escudos estão mais próximos dos nossos instintos de preservação. Em algum momento da vida precisamos usar do mecanismo de rigidez para sobreviver à morte de um ente querido, a separações, falências, doenças graves. Mas se ao invés disso optássemos pelos escudos? Porque em ocasiões assim, usando armaduras, perdemos parte da nossa docilidade e sensibilidade, de esperança e crença no amor próprio e do outro por nós.

Encontro pessoas que viveram perdas significativas, que vivenciaram dores tão intensas que se perderam em si mesmas, construindo barreiras emocionais que as distanciaram do sentido de suas vidas. Passaram a dirigir seu destino como alguém que dirige um carro com o “freio de mão puxado”.

É hora de nos revermos, de transformar nossas armaduras cobertas de sofrimentos e dores em escudos com brilhos de afeto, amor e carinho pela vida. Um ser que usa escudo é um ser resiliente. O que veste a armadura tem grande possibilidade de ficar doente. O excesso de defesa cria o chamamos de pseudoself ou falso “eu”, um modus operandi que protege a pessoa dela mesma, enquanto vive desconectada de suas emoções. Pessoas que, após tempo, se perguntam onde estavam que não perceberam que viveram distantes delas mesmas, por longo período ou vida inteira. Pessoas que não sabem o que gostam, não sentem os prazeres da vida e lidam mal com o lazer.

Se você ainda não trocou a sua armadura por um escudo, ainda é tempo. Afinal, só você tem os recursos e as ferramentas para desconstruir sua armadura. Basta limpar o coração do ódio, rancor, vingança, da agressividade e compreender esse outro que lhe acompanha na sua jornada, um empréstimo do Criador para o seu processo de evolução.

Faça as pazes consigo mesmo. Quando isso acontecer, escreva uma carta para você. Isso mesmo: de você para você. Fale tudo o que gostaria de ter dito a si mesmo ao longo da vida e, por tantas defesas, não falou. Um exemplo: a quantas coisas gostaria de ter dito “não” e disse “sim”, só para não desagradar?

Escreva com o coração, porque a razão, nessas horas, só serve para atrapalhar. Use da autenticidade, seja gentil com você, porque você merece.

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e famílias

Baixa imunidade emocional mata

Evitar o contato com crises, conflitos ou insucessos é uma forma de morrer em doses homeopáticas.

O medo do fracasso, o terror, a frustração e a baixa intolerância no trato com outro são ingredientes facilitadores da morte em vida. Começamos a morrer quando o sentimento de desamparo passa a ser uma parte significativa de nossas relações pessoais e profissionais, dando sentido às nossas atitudes, ações e manifestações comportamentais.

A falta de respostas acalentadoras, que possam acalmar a mente no caos, faz com que dias e noites pareçam intermináveis frente às dores desconhecidas que a vida impõe, causando um quadro de apatia. Dores que, por vezes, parecem transcender à condição humana, como a perda ou a iminência da ausência do pai, mãe, filho, amigo… Dores impossíveis de serem compreendidas, mas que servem de remédio para aumentar a nossa imunidade emocional.

Os sentimentos de impotência e desamparo podem matar, mas, também, podem ser fontes de curas para quem acreditar que a aprendizagem é uma das poucas competências que imuniza o ser humano no seu processo de evolução da vida para a morte.

Vivemos como eternos aprendizes, com baixas imunidades emocionais, já que, ao final, somos vencidos por uma morte sábia/ignorante, que aguarda de braços abertos todos os que passaram pela vida sem usar seus potenciais máximos, nas relações pessoais, profissionais, nas suas famílias e nos casamentos.

Viver é aprender. Aprender é criar imunidade emocional nas nossas experiências relacionais. Essa aprendizagem promove o caos, a ansiedade dilacerante ou até, em alguns casos, angústia catastrófica, troca do velho pelo novo, fazendo o aprendiz se sentir “sem lenço, sem documento”. As experiências frustradas que vivemos são fontes enriquecedoras de imunidades emocionais, ajudando-nos a ser potencialmente imunes e resilientes. Nossas experiências caminham de mãos dadas com nossas aprendizagens e essa interação nos imuniza frente às adversidades e circunstâncias da vida.

A baixa imunidade emocional é prima do desamparo, irmã da depressão e mãe conciliadora da morte. Conciliadora porque entre vida e morte não existe saída, porque o vencedor é predefinido. Então resta conciliar.

O desamparo é o início do processo de depressão, salvo as heranças genéticas. É a própria consolidação da entrega à desesperança e falta de sentido na vida. É por meio do desamparo e da depressão que se inicia o nosso mecanismo de defesa, de cisão entre as nossas razões e emoções. Para fugir das possíveis dores emocionais avassaladoras da vida, como o diagnóstico de uma doença terminal, nós usamos a razão patológica como proteção para não encara que, ao final, a morte sempre vence.

A consciência de finitude é uma das maiores fontes de imunidades emocionais que podemos adquirir. A morte traz imunidade para aqueles que, em vida, apreendem com suas famílias, casamentos, na vida pessoal, profissional e com os amigos, compreendendo que imunidade emocional é semelhante ao processo de algumas vacinas. É preciso entrar em contato com os malefícios dos corpos estranhos (algumas vezes venenos) em doses homeopáticas para sair imunizado.

Na vida também é assim: quem deseja adquirir certa imunidade emocional, precisa encarar que a vida foi nos dada de graça, para aprendermos a ser melhores a cada dia. É a morte que confere plenitude à vida.

AGORA É COM VOCÊ

Faça uma lista contendo as circunstâncias e pessoas com quem convive (família, casamento, profissão, amizades).

Dê uma nota de 0 a 10 para definir como você está cuidando da sua imunidade emocional em cada um desses contextos.

Caso você se dê uma nota 0, é porque já nasceu morto e não sabia.

Caso tenha atribuído uma nota 10, acabou de morrer e também não sabe.

Quem confere aprendizado ou imunidade ao ser humano é a sua incompletude. Por acaso, você gostaria de já estar completo?

Bom teste!

Um abraço a todos.

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e famílias

Baixar nosso E-book

elacionamentos e casamentos – um desafio humano que nos ensina a crescer

A Escola Familiacomvida, em uma iniciativa exclusiva, traz para você um e-book gratuito.

Neste E-book você vai encontrar:

  • Artigos sobre a complexidade das relações afetivas
  • Textos para você refletir sobre sua relação
  • Dicas para uma vida conjugal mais saudável
  • Orientações de como proceder para melhorar a qualidade de sua relação
  • Testes para prevenir e avaliar crises conjugais

Uma importante ferramenta para sua autocompreensão e seu autoconhecimento.

O conteúdo também oferece subsídios para apoiar o seu trabalho com casais.

NO VÍDEO ABAIXO VOCÊ VAI CONHECER MAIS SOBRE NOSSO E-BOOK

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e famílias

Minha mãe sempre me inquietou porque é uma ativista emocional

Ao longo da nossa convivência, não me lembro de ter existido um só dia em que minha mãe não agitou e inquietou a minha vida emocional.

Nos namoros e casamento, lá estava ela com a sua sedução, falando nas entrelinhas que eu poderia fazer o que quisesse da minha vida, contanto que eu tivesse cuidado para não abandonar as pessoas que eu gostava.

Nas minhas tomadas de decisões, sua voz ecoava nos meus ouvidos: “Tem certeza de que é isso mesmo que você deseja?”. E ainda: “Não que eu queira controlar a sua vida, mas pense bem!

Na maioria das vezes em que eu ia fazer uma escolha, uma voz lenta e suave dizia aos meus sentidos: “Lembre-se de que mais vale um passarinho na mão do que dois voando”. E se perguntada o que ela queria dizer com isso, ela respondia: “Você sabe como eu penso”, o típico argumento de quem fala sem dizer nada, mas passa uma mensagem subliminar. Pronto: minha mente já estava contaminada.

Quando ela se via sem saída sobre alguma questão que a colocava “na parede”, dizia: “Nossa! Estou com uma dor de cabeça…”.

Mesmo com aquele jeito um pouco dominador, minha mãe é nota 10. Foi ela que me ensinou a amar, a respeitar o próximo, me acolheu nos primeiros momentos da minha vida, quando o meu “desamparo inicial” como bebê era uma forte sensação de morte.

Por isso, sou grato às agitações e inquietações que até hoje, indiretamente, ela provoca, nas minhas relações pessoais, interpessoais, conjugais, familiares e profissionais.

Minha mãe me mostrou que é melhor ficar agitado e inquieto diante da vida do que ser abraçado pela inércia da morte, que promete uma existência calma e mansa, incolor e inodora, sem amor, acolhimento, aceitação.

Ela sempre me dizia para eu ser um ativista do bem: “Leve carinho, amor, acolhimento, solidariedade. Viva e se entregue às relações com o próximo, porque, no final, são essas histórias que realmente contam”. Em suma, é seguir o velho e bom ditado: “Faça aos outros o que gostaria que fizessem com você”.

Concordo com ela. Vida sem agitação e inquietação é para quem já nasceu “morto”.

Aprendi muito com as agitações e inquietações da minha mãe, presentes nas situações amorosas, pessoais, profissionais e familiares. Não aceito o comodismo, a mediocridade, a hipocrisia, a injustiça, a intolerância e a falta de amor e carinho. Essa minha porção tem muito de minha mãe, uma flor de amor e carinho, por mim e pelos meus irmãos, mas que sempre espetou a minha vida emocional com seus espinhos amorosos, ajudando-me a me tornar a pessoa que hoje sou.

Neste tempo de celebrar o Dia das Mães, sugiro a você que curta essa pessoa, seja ela quem for, ativista ou passiva. Observe-a, compreenda-a e a ame. Quando você ainda era um feto no ventre quente e calmo de sua mãe, você foi o ativista emocional da vida dela, que a motivou a ser mais do que ela jamais se imaginou capaz. Por isso, hoje você está podendo ler este texto.

Se precisar, também a perdoe. Atos que podem ter te magoado lá atrás, ou que ainda te magoam, são frutos do que ela podia e sabia fazer. Acredite: ela se deu ao máximo por você. Por isso, seja feliz e curta sua mãe, mesmo se ela não estiver mais neste planeta. Ela merece se sentir aceita e amada, porque as agitações e as inquietações emocionais que temos, muitas vezes plantadas pelas nossas mães, nos fazem crescer, nos desenvolver e ajuda-nos a evoluir como seres humanos para amarmos uns aos outros.

Por isso, ame! Um feliz e abençoado Dia da Mães!

Sebastião Souza
Psicoterapeuta de casais e famílias